domingo, 16 de outubro de 2011

E-MAIL RECEBIDO DE ENIO JOSÉ ROCKENBAC JÚNIOR

Noemia,


Em primeiro lugar, me desculpe por esta cibernética invasão de te mandar mensagem já que te sou totalmente desconhecido, mas meu constrangimento busca refúgio e justificativa nesta era em que vivemos nestes dias, em que tudo e todos parecem estar conectados e as palavras já não encontram fronteiras, óbices, limites.


Muitas vezes este excesso de liberdade de expressão parece facilitar apenas àqueles que não são dignos dela, o que antecipo, não é minha intenção aqui, sendo totalmente outro o propósito da minha visita.


Hoje é sábado, divido meu tempo e minhas divagações entre alguns trabalhos por fazer em um computador e dois monitores, e vim parar aqui porque uma terceira tela, a da TV que deixei ligada no propósito de que a música, parcela primordial da minha alma, me fizesse companhia e pano de fundo, me desse uma trilha sonora.


No entanto, um outro Hime, um certo Francis, incerto parente teu, talvez não, não importa, toma conta do ambiente e das minhas atenções todas, este Francis, de quem há anos sou admirador, e que entendo só não ocupa o lugar que merece em termos de reconhecimento porque a tocante arte que faz, distribuída entre notas de beleza e harmonia indescritíveis e letras, mesmo as mais eventuais, que certamente estão além, muito além, do andar térreo do nível musical de nossa mídia, sempre bem mais afeita a músicas sem sentido, mas perfeitamente descartáveis e, convenhamos, nada que seja descartável merece muita reflexão. Tomando emprestadas as palavras de Mário Quintana, "eles passarão, Francis passarinho!"


Teus blogs, com os quais dei de cara tão logo parti para o google no intuíto de ver o que o ciberespaço andava dedicando a Francis, além de indispensável espaço poético dedicado a alguns artistas que merecem a eternidade neste novo mundo sem fronteiras mas por vezes tão fugaz, passageiro e superficial onde os orkuts de ontem viraram pó nos twitters e facebooks de hoje que também, não tenho dúvidas, logo ali serão apenas mais outro modismo efêmero a ocupar o lugar no arquivo do abandono destes tempos digitais em que a sede de mudanças não permite profundidade alguma em nada, com seu relógio enlouquecido a subverter em velocidade frenética a sucessão das coisas. Temo que as gerações futuras sejam apenas um resultado vazio e inconsistente desta torpe necessidade de tecnologia em profusão espantosa, com destino à perpetuação do efêmero. Assim, Chico, Francis, Tom, Vina e tantos outros infelizmente serão totalmente desconhecidos e suas composições de inigualável beleza, que na minha opinião forjaram uma das mais belas músicas populares do mundo, e esta opinião não carrega em seu núcleo, ou tenta não carregar, qualquer traço de patriotismo, nacionalismo ou nenhum ismo destes, mesmo porque como um apaixonado pela música o único ismo a que me permito é o do ecletismo, que me faz tanto admirar um concerto de Rachmaninoff quanto a música aborígene do Youthu Yindi, Led Zeppelin e Noel Rosa, Mercedes "la negra " Sosa e Gershwin, Jacques Brel e Beatles, Francis, Chico, Lyra, Menescal ou Motorhead e Coldplay, U2, ah o U2, especial demais, tanto quanto Sivuca e Milton, e Elis e Nação Zumbi, e Gismonti e Beto Guedes e tantos outros que poderia citar, portanto minha paixão musical me faz circular por tantos e tão díspares artistas, para me dar a certeza de que a música de Francis Hime possui a beleza da eternidade. Neste show, que vai chegando ao final, no Multishow HD, O Tempo das Palavras, que tenho certeza, conheces, simplesmente me arrebatou de tal forma que talvez eu tenha cometido o pecado de, após encontrar teus blogs, ultrapassar pela primeira vez o meu anonimato de admirador, e confesso, induzido pelo teu sobrenome que não me parece um nickname, te transmitir estas palavras, te desejar que continues divulgando esta arte maravilhosa que espalhas em teus blogs.


Mas se o teu Hime for, por ventura, próxima a Francis, não "googleei" para investigar, podes um dia qualquer, contar para ele deste intruso cibernético que teve a petulância de te mandar um e-mail te sendo um desconhecido total, e com este já longo e prolixo texto, além de te cumprimentar pelos blogs, e para dar credibilidade a tudo o que escreveu, te contar que tem uma filha que se chama Luiza, por inspiração total da música Luiza do Francis, cuja letra, mesmo que já não tenha certeza se é do próprio Francis ou do Chico, é uma das letras mais lindas e emocionante que ele já viu e ouviu, e por esta inspiração eternizou para ele na forma de sua bela filha que vai fazer quinze anos e, tenha certeza, este cara que, ousado, neste sábado à noite, saído do nada, apareceu na tua caixa de mensagens, te garante que além de não tornar a importunar, tem como uma de suas missões como pai, mostrar à sua filha esta obra musical fantástica que, entre outros, um tal Francis Hime compôs e eternizou.


se chegaste até aqui, além das desculpas, te agradeço
um abraço


Enio





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